Tudo sobre reabilitação neurológica com Pilates

instrutora auxiliando aluna com o equipamento de pilates para reabilitação neurológica

As doenças neurológicas acometem pessoas de todas as idades, em qualquer fase da vida. Algumas deixam sequelas irreversíveis, enquanto outras causam apenas limitações passageiras. O Pilates tem sido uma alternativa bem-sucedida na reabilitação neurológica, devolvendo funcionalidade e contribuindo positivamente para o aumento da qualidade de vida dos pacientes.

De acordo com artigo publicado no The Lancet Neurology, as doenças neurológicas são a principal causa de deficiência e ocupam a segunda colocação em mortes no mundo. As estatísticas apresentadas mostram aumento significativo no número absoluto de pessoas acometidas por distúrbios neurológicos nos últimos 30 anos.

Por um lado, o número de óbitos causados por esse tipo de doença aumentou 39%. Por outro, o número de anos de vida perdidos em pessoas com doenças neurológicas sofreu acréscimo, de 15%. Pelos números já dá para perceber a gravidade dos efeitos das doenças neurológicas nas pessoas e na vida dos membros da família.

O estudo, denominado The global burden of neurological disorders: translating evidence into policy, foi fruto do trabalho de pesquisadores de diversos países, que se uniram, a fim de analisar o impacto das doenças neurológicas e sua incidência mundial.

Com uma lista de benefícios gigantesca, o Pilates passou a ser alvo de vários estudos científicos, a fim de avaliar a eficácia do método no tratamento de diversas enfermidades neurológicas. Com tantos resultados positivos, o método passou a integrar a lista de alternativas na reabilitação neurológica.

Nesse artigo, vamos entender melhor o que são essas doenças e como têm sido os resultados do Pilates em algumas delas.

O que são doenças neurológicas?

As doenças neurológicas são aquelas que afetam o sistema nervoso do indivíduo. Em outras palavras, há danos no cérebro, medula espinhal, nervos e todas as demais estruturas associadas, a exemplo das raízes nervosas e músculos.

Normalmente são doenças causadoras de incapacidades, que comprometem a vida dos pacientes. Além disso, algumas podem causar a morte precoce do indivíduo.

As principais consequências das doenças neurológicas têm relação com a deficiência de funções e estruturas do corpo. Esses resultados repercutem diretamente na atividade e participação social do doente.

Por isso a necessidade de reabilitação, para que seja possível garantir uma melhor qualidade de vida ao paciente.

O que pode causar uma doença neurológica?

São muitas as razões que podem causar doenças neurológicas. Primeiramente, é preciso entender que o sistema nervoso é um sistema cuja estrutura é bastante complexa. Afinal, é ele que nos faz pensar, comer, andar, ter sensações etc. Então, qualquer alteração em qualquer parte dessa estrutura pode originar sintoma e, consequentemente, se tornar uma doença neurológica.

Mas as principais causas que são associadas a problemas neurológicos estão ligadas a fatores internos e externos. Vão desde o estilo de vida adotado pela pessoa, incluindo a alimentação e exposição a fatores ambientais, até fatores genéticos, acidentes, infecções, só para exemplificar.

O que é reabilitação neurológica?

Simplificando o conceito, reabilitar significa recuperar funções, ou seja, devolver ao indivíduo a capacidade de executar determinadas tarefas do dia a dia. A reabilitação nem sempre é capaz de eliminar o problema ou acabar com a sequela. Muitas vezes, o processo de reabilitação visa apenas à melhora da qualidade de vida e à recuperação de alguma função do corpo.

instutora auxiliando aluna no reformer para reabilitação neurológica

Pilates é método terapêutico na reabilitação neurológica

 

Normalmente, a reabilitação envolve uma equipe multidisciplinar, com cada profissional atuando em sua área, participando do processo de resgate da qualidade de vida do paciente. A ideia é que, quando possível, o paciente ganhe autonomia e liberdade para executar as atividades rotineiras. E, quando não for possível essa recuperação total, que ele apresente algum tipo de melhora e evolua em seu quadro geral.

Na reabilitação neurológica, busca-se a chamada neuroplasticidade, que é a capacidade de o cérebro se adaptar a certas mudanças. Em outras palavras, é a aptidão de o sistema nervoso modificar suas estruturas e funções diante de novas experiências e vivências. Ou seja, é a habilidade de o cérebro reorganizar suas estruturas neurais, moldando-se a partir de aprendizagens e vivências.

Existem várias técnicas de reabilitação neurológica, sendo que o Pilates é uma delas. A melhora da qualidade de vida do paciente neurológico por meio do Pilates é decisiva na prevenção de doenças crônicas. Além disso, a prática do método como reabilitação também promove, dentre outros ganhos, melhorias significativas nas funções respiratória, hemodinâmica e motora.

Pilates como técnica de reabilitação neurológica em pacientes com doença de Parkinson

A Doença de Parkinson (DP) é uma doença crônica e progressiva. O distúrbio causa restrições nos movimentos e impede que o paciente realize atividades simples do dia a dia. O mal de Parkinson atinge as atividades motoras, como a marcha, e interfere na execução dos movimentos.

Seus principais sintomas estão relacionados a tremores, rigidez nas articulações, lentidão ou ausência de movimentos e deficiência na coordenação motora e equilíbrio. Do mesmo modo, o paciente apresenta também sintomas não-motores, como depressão, demência, redução do estado de alerta, alteração no humor, dentre outros.

A prática do Pilates para os portadores da Doença de Parkinson ajuda a retardar o avanço da doença, evitando a ocorrência de complicações. Além disso, o Pilates consegue manter a funcionalidade e, consequentemente, a independência do paciente. O Pilates atua na preservação tanto das funções físicas quanto das mentais.

O Pilates ajuda ainda na correção da postura, na melhora do equilíbrio, na manutenção da coordenação motora, no aumento da força e da resistência. Dessa forma, o paciente ficará menos vulnerável aos efeitos da doença.

Além de ficar mais resistente aos riscos de quedas, o paciente consegue melhorar a flexibilidade, reduzir eventuais encurtamentos e tensões musculares e ganhar consciência corporal.

Reabilitação neurológica de pacientes que tiveram derrame cerebral (AVC ou AVE)

AVE é acidente vascular encefálico, também conhecido como acidente vascular cerebral (AVC) ou derrame cerebral, uma doença neurológica bastante comum, que compromete o estilo de vida do paciente.

Ele acontece quando há uma interrupção ou redução drástica do fluxo de sangue para alguma região cerebral, privando as células de nutrientes e oxigênio. Ou, ainda, quando ocorre o rompimento de um vaso sanguíneo e, consequentemente, uma hemorragia cerebral.

instrutora auxiliando aluna para reabilitação neurológica

Reabilitação neurológica conta com suporte do Pilates

 

Após um AVC, o paciente pode apresentar paralisia em parte do corpo, dificuldade para falar, dores de cabeça, tonturas, desmaios. Além disso, são sintomas do AVC, dificuldade de movimentos, dificuldades para comer, perda parcial ou embaçamento da visão e fraqueza muscular.

O Pilates é capaz de desenvolver a força muscular aos pacientes que tiveram derrame cerebral. Isso porque as limitações motoras típicas desses pacientes causam perda funcional, restrição do movimento e, por tabela, o enfraquecimento dos músculos.

A recuperação da força muscular devolve a motricidade, ou seja, a independência funcional do paciente. Ademais, o Pilates proporciona melhoras na postura, equilíbrio, flexibilidade e na qualidade do movimento em geral. Com o passar das aulas, o paciente apresenta evolução terapêutica e ganha em qualidade de vida.

Reabilitação de portadores de paraparesia espástica tropical (HAM/TSP) associada ao HTLV-1

O HTLV-1 é o vírus linfotrópico para células T humanas, que afeta os linfócitos, cuja transmissão se dá verticalmente de mãe para filho, pelo uso de drogas injetáveis, transfusão de sangue, amamentação ou por contato sexual.

O vírus causa a chamada paraparesia espástica tropical (HAM/TSP), doença irreversível que se manifesta de forma lenta e progressiva nos membros inferiores, com mais incidência em mulheres a partir dos 40 anos.

Dentre os principais sintomas são identificados problemas sérios na marcha, enrijecimento dos membros inferiores, fraqueza muscular e comprometimento do equilíbrio e postura. A evolução da doença pode levar o paciente à necessidade de uso de cadeiras de rodas.

Com a prática do Pilates, os pacientes portadores de HAM/TSP conseguem ganhar força muscular, flexibilidade e mobilidade articular. Além disso, o método auxilia no fortalecimento do centro de força, promovendo o alinhamento postural.

Os equipamentos de Pilates são extremamente importantes e úteis com essa população, pois além de cuidar do paciente, cuidam também do profissional que aplica o método. Eles sustentam o peso corporal e facilitam a realização dos movimentos do paciente, sem sobrecarregar o corpo do profissional.

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