Sistema Gyrotonic e a Educação Somática

Sistema Gyrotonic e a Educação Somática

Tema: Uma conversa sobre os Métodos GYROTONIC® e GYROKINESIS® no Campo da Educação Somática. Saiba tudo sobre o Sistema Gyrotonic e a Educação Somática.

Para algumas pessoas talvez seja estranho ainda falar sobre os Métodos GYROTONIC® e GYROKINESIS® como um campo da Educação Somática.

O ‘Gyrotonic Expansion System®’ lida com o entendimento de que o Corpo está dentro de um sistema global e a ideia de que não é possível tratar corpo, mente/espírito como esferas separadas. O Método surgiu nas décadas de 70 e 80, onde já havia nos cenários europeu e norte-americano um vasto campo de conhecimento científico, de investigação e de produção artístico-corporal, tudo isso já sendo possibilitado pelas técnicas de Educação Somática disseminadas nos séculos XIX e XX, na Europa e América do Norte.

E o que vem a ser a Educação Somática?

  De acordo com Débora Bolsanelloa educação somática é um campo teórico e prático que se interessa pela consciência do corpo e seu movimento. Muito embora o campo exista há mais de um século na Europa e na América do Norte, a denominação “educação somática” foi
criada em 1995 pelos membros do Regroupement pour l’Éducation Somatique (RES)2 em Montreal, no Canadá. Sob a denominação de educação somática regrupam-se diferentes
métodos educacionais de conscientização corporal dentre os quais se destacam: Técnica de Alexander, Feldenkrais, Antiginástica, Eutonia, Ginástica Holística, etc. (…)
“.

    Vale lembrar que, a Educação Somática e o Método GYROTONIC® são assuntos extensos. Aqui, teremos uma breve ‘conversa’ sobre os mesmos.

A história do Método Gyrotonic

    O MÉTODO GYROTONIC EXPANSION SYSTEM® foi criado pelo romeno Juliu Horvath, nascido em 1942 em Temesvar na Romênia. Seu olhar para o movimento era bastante evidente desde a sua infância. Em sua juventude, ele se destacou em atividades como natação, ginástica e remo. A dança chegou para ele quando tinha 19 anos e aos 21 já era um dos principais Bailarinos da Companhia Nacional de Balé da Romênia.

Enquanto estava em turnê na Itália em 1970, ele desertou da Romênia vindo a ‘morar’ em um campo de refugiados na Itália por seis meses. Depois de receber asilo político nos Estados Unidos, mudou-se para a cidade de Nova York.

Depois de chegar à cidade de NY trabalhou em várias funções para conseguir se manter e, paralelamente, fazia audições para as Cias. de Dança. Durante a década de 1970 dançou no New York City Opera, Radio City Music Hall, e foi bailarino principal do Houston Ballet. Dançando com a cia. Houston Ballet, Juliu rompeu o tendão de Aquiles interrompendo sua carreira de Bailarino. Depois dessa lesão, Juliu começou a prática regular de yoga. Aprofundando-se em seu próprio movimento, em suas práticas de meditação, e em experiências energéticas mais profundas, foi levado à necessidade de sentir mais sobre essas experiências. Em 1977 mudou-se para a ilha de St. Thomas nas Ilhas Virgens, onde passou os seis seguintes anos estudando yoga e práticas de meditação.

Durante esse tempo, Juliu recebeu novos insights sobre movimento e auto-cura, e a partir dessas percepções iniciou a criação de seu próprio método.

Voltando à Nova York no início dos anos 80, passou a ensinar um novo Sistema de Movimentos baseado no que aprendeu e experienciou em seu próprio corpo. Ao Sistema novo denominou de “Yoga para Bailarinos”. Inicialmente, “Yoga for Dancers” foi ensinado na Escola ‘Steps on Broadway’ e na próprio estúdio de Juliu – White Cloud Studio.

No começo grande parte dos alunos eram bailarinos profissionais, porém à medida que a demanda por suas aulas foi aumentando e a diversidade de sua clientela/público também, ele começou a olhar com mais atenção para o seu ‘Sistema de Movimentos’. Juliu inicia então, um formato de aula que praticamente qualquer pessoa pudesse realizar, independentemente da idade ou do estado de saúde. Horvath, nomeia então a nova ‘pesquisa’ do Yoga for Dancers de GYROKINESIS®. Partindo dessa imersão na investigação corporal, ele cria e aperfeiçoa ainda mais o Método e desenvolve uma outra parte: o GYROTONIC®, e com ele a sua primeira máquina, o primeiro equipamento.

Entendendo o Sistema Gyrotonic

Duas perguntas são fundamentais para que possamos entender melhor o Sistema GYROTONIC®: O que propõe o Método? Quais são seus princípios básicos?

O Método GYROTONIC® trabalha numa perspectiva que vai ao encontro do substrato profundo da organização músculo-esquelética, tridimensional e multidirecional. É um sistema que explora a múltipla capacidade do corpo de ir além, mas um ir além dentro das especificidades e cuidados de cada pessoa, ou seja, da harmonia entre o organismo e o jeito de se mover. E ainda, não há descoberta dos sentidos e das percepções corporais sem passar pela processo de Respiração. Inspirar e Expirar.

A respiração

A respiração se faz presente a todo instante, seja no Gyrokinesis® ou no Gyrotonic®. Entende-se que a respiração, como em algumas práticas somáticas, é um potente facilitador para uma ponte entre as funções sensitivas e motoras. O mover-se nesse sistema fundamenta-se em mexer nas estruturas articulares com liberdade e segurança, ao mesmo tempo em que, se cria e ganha espaços internos, bem como o fortalecimento ideal de uma musculatura profunda.

Princípios

A tudo isso que o Método se propõe não é possível se os princípios básicos não estiverem conectados, ‘acordados’ no corpo.

O primeiro princípio é o de criar estabilidade por meio de contraste, gerando “espaço” entre as articulações e um movimento, junto a um padrão de respiração correspondente.

Outro princípio é o ‘Seed Center’ (Centro da Semente) onde a nossa energia-raiz emana, e de onde entendemos que o nosso fluxo energético-mor precisa ser ‘desbloqueado’ para que os nossos sistemas energéticos e emocionais possam fluir bem.

O penúltimo diz respeito à 5ª linha (Fith Line), Juliu diz o seguinte:


‘Para que seja completo e satisfatório, um movimento precisa ser executado até a totalidade da capacidade estrutural e energética do indivíduo, como no bocejo, ao mesmo tempo em que se criam espaços dentro e em volta das articulações e órgãos. Para conseguir criar esses espaços articulares, a quinta linha é fundamental’.

O conceito da quinta linha trata-se de uma linha imaginária que nasce na região das clavículas e sai por um ponto específico no calcanhar em direção ao infinito.
Para exemplificar melhor esse conceito, tomemos a perna como referência: Pense em 4 linhas na perna: anterior, posterior, medial e lateral, a quinta linha é o Centro, ou seja, passando entre essas quatro linhas por dentro do corpo e saindo pelo pé em direção ao infinito.

Além disso, a quinta linha gera uma descompressão nas articulações, diminuindo as altas pressões do impacto durante os exercícios.

E, por último, temos o Narrowing of the Pelvis que corresponde ao ”estreitamento da pelve”. Estreitar a pelve se dá pela ativação de músculos profundos da pelve e assoalho pélvico gerando um aumento no comprimento da coluna vertebral no sentido axial, tanto para o crânio quanto para a região sacral.

Todos esses Princípios devem ser ativados por meio do processo respiratório, através de movimentos circulares, fluídos e espiralados da Coluna Vertebral, essa que se move em diferentes direções (ou deveria): em Expansão ‘Arch’, em Recolhimento ‘Curl’, ao dobrar-se lateralmente e em Espiral ‘Spiral’.

A ideia e a prática de um mover profundo aliados a uma respiração e um auto-conhecimento são extremamente pertinentes ao Método.

Sistema Gyrotonic e a educação somática

Ao estabelecer a conexão entre o Gyrotonic® como uma técnica somática, destaque para a fala de Thomas Hanna:

“a arte e a ciência de um processo relacional interno entre a consciência, o biológico e o meio ambiente, estes 3 fatores sendo vistos como um todo agindo em sinergia” .(HANNA,1983)

Partindo da citação acima e do já descrito nesse texto o ‘Gyrotonic Expansion System®’ pode ter o seu lugar dentro do campo de conhecimento do estudo somático, no qual pretende aguçar uma visão holística do sujeito, da experiência do corpo em movimento, da valorização da subjetividade da pessoa e da utilização de um instrumentário de técnicas táteis e manuais.

Finalizando essa conversa-texto gostaria de trazer as palavras de Juliu Horvath:



“O Objetivo final é estar em casa no corpo, estar em sintonia com a natureza de si mesmo e experimentar o exercício como uma experiência criativa e prazerosa”.

É sempre bom ressaltar que a qualidade de qualquer técnica dentro da Educação Somática e, consequentemente, para os Métodos GYROTONIC® e GYROKINESIS® depende diretamente de quem a executa, do profissional que escolheu fazer a Formação e de se aprofundar para levar o Método com ética e responsabilidade.

Referências: 

  • STRAZZACAPPA, Márcia. Educação Somática: seus princípios e possíveis desdobramentos.
  • HANNA, Thomas. Dicionnary definition of the word somatics. Somatics, n. 4 (2), 1983.
  • BOLSANELLO, Débora. Educação Somática: o corpo enquanto experiência.

Debóra Bolsanello, Gyrokinesis, Gyrotonic, Luciane Segatto
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