Pilates, politrauma e estratégias de movimento

estratégias de movimento para politraumas

Por Elizabeth Larkam

Politrauma é um termo militar usado para descrever ferimentos em várias áreas ou órgãos do corpo, ocasionados por uma ação violenta. A lesão cerebral traumática ocorre frequentemente em um politrauma e pode estar aliada a outras condições incapacitantes. Por exemplo, a amputação, deficiências auditivas e visuais, disfunção do sistema vestibular, lesão da medula espinhal e transtorno de estresse pós-traumático. Nesse artigo faremos uma associação entre o politrauma, o Pilates e as estratégias de movimento.

Comecei a trabalhar com amputados em 2005, quando uma jovem mãe com uma prótese de perna acima do joelho tornou-se minha paciente. Ela queria ser capaz de andar com maior conforto e eficiência e, assim, carregar seu bebê com confiança. Trabalhamos juntas por muitos anos, o que me permitiu desenvolver um amplo programa no studio para o tratamento de suas lesões, ocasionadas por uma queda, anos antes. A experiência, por sua vez, contribuiu para formular sequências de movimentos de Pilates aplicáveis ​​para pacientes com próteses e lesões múltiplas.

Esse conhecimento, aliado aos meus 15 anos de experiência como instrutora de Pilates no São Francisco Memorial Hospital, foi fundamental, quando, em 2008, os médicos da equipe de fisioterapia do Programa de Combate a Acidentes do Naval Medical Center de San Diego, Califórnia, também conhecido como Hospital Naval Bob Wilson, me convidaram para orientá-los na criação de um programa de Pilates que atendesse pacientes politraumatizados.

Mas como o Pilates pode ajudar esses pacientes?

Até então, não havia um programa de Pilates capaz de atendê-los. Passei, portanto, muitas horas estudando equipamentos e a adaptação necessária para atender os problemas apresentados. Assim, poderia fornecer vetores específicos de estabilidade, assistência, resistência ou instabilidade, capazes de facilitar a aprendizagem motora e o movimento funcional. Com base nessa experiência clínica, sabia que os equipamentos de Pilates ofereciam estabilidade suficiente para o suporte seguro de pacientes gravemente feridos, apresentando estímulo adequado para inspirar novos movimentos, com facilidade de neuroplasticidade.

Venho desenvolvendo sequências de movimentos para pacientes com múltiplas lesões nos últimos anos e testemunhei resultados fantásticos. Muitos pacientes com próteses melhoraram significativamente a eficiência de sua postura. Veja exemplos desse trabalho no vídeo “Heroes in Motion“.

Além disso, os pacientes com lesões na medula espinhal, que estão em cadeiras de rodas, têm melhorado bastante a mobilidade das costas e ombro superior, conseguindo respirar melhor, reduzir dores no pescoço e no ombro, melhorar a amplitude de movimento de braços e mãos.

Mais do que benefícios físicos

Mas não são apenas os benefícios físicos que estes pacientes têm experimentado. A prática de movimentos que exigem concentração pode ajudar na eficiência e independência no dia a dia do paciente. A experiência transformadora de gerar movimento intencional em órgãos afetados por imobilidade, dependência, medo ou depressão é extremamente poderosa. A autoconfiança e a consciência em movimento, cultivadas com a prática do Pilates, podem ser percebidas em atividades da vida diária.

Um paciente com lesão medular certa vez me escreveu contando: “Sua visita teve um efeito profundo em minha vida. Mudou minha maneira de pensar e de me movimentar. Tem permitido que algumas emoções que eu tenho trabalhado tanto tempo para suprimir, venham à tona. Agora eu estou trabalhando para processar essas emoções e liberar os padrões de tensão com a prática do Pilates. Eu só queria agradecê-la por me ajudar a progredir e estar próximo ao nível de cura.”

Isso é o que eu ganho ao mostrar aos pacientes que eles podem transformar suas vidas por meio do movimento.

Ao visitar Centro Médico Naval como voluntária, percebi que os pacientes demonstram real desejo em aprender a lidar com o novo material e aperfeiçoar seus programas de movimento. Eles ficam tristes ao concluir o treinamento de Pilates quando as sessões estão chegando ao fim e perguntam quando podem voltar para mais sessões.

O advento de estratégias de movimento

Paralelamente, meu trabalho com pacientes politraumatizados levou à primeira interação com as Estratégias de Movimento. Em parceria com a Balanced Body, elaborei um programa que se baseia na questão: “Quem são os que têm sérios desafios para o controle motor?”. Ele começou com a apresentação do meu estudo de caso na primeira edição do “Pilates on Tour”, em Roma, em 2005.

Em seguida, deu um grande salto, quando recebeu três professores de Pilates de Copenhagen, Dinamarca,  para assistir à palestra “Programa de Mentores Passando a Tocha”. Seu foco era o desenvolvimento de sequências de movimentos de Pilates para soldados dinamarqueses com politraumatismos. Trabalhamos juntos oito horas diárias, durante dez dias.

Em junho de 2013, após a tragédia da Maratona de Boston, um instrutor de Pilates que se preparava para aplicar sessões de Pilates nos feridos atingidos pelo bombardeio me pediu para orientá-lo no desenvolvimento do material didático. Como resultado, a Balanced Body organizou um curso de estratégias de movimento em Boston. Os instrutores de todo o litoral leste norte-americano participaram para aprender a trabalhar melhor com os maratonistas e espectadores feridos.

A Pilates Method Alliance (PMA) iniciou a operação “Heróis em Ação” que recebeu uma doação para apoiar o projeto de Boston.

É um prazer ver professores de Pilates utilizarem o material deste curso em todo o mundo para fazer a diferença em suas comunidades.

Estratégias do Movimento homenageia a intenção original de Joseph Pilates, mantém-se fiel aos princípios de Pilates e é guiado por pesquisas atuais aliadas à prática clínica, buscando atender todos os pacientes e clientes.

* Artigo atualizado, originalmente publicado em 10/01/2016.

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