“Case”- Pilates e Cadeirantes

Saudações, Amigos e Colegas!

Na coluna de hoje falaremos sobre um assunto que sempre gostei, mesmo porque sou fã de paralimpíadas: cadeirantes. Os exemplos de superação são fascinantes e o “case” que vou descrever é da minha cliente e amiga Camila Andrade Barreto, 22 anos, estudante universitária do curso de Administração de Empresas.

Camila apresenta quadro de paraplegia não traumática incompleta, devido à mielopatia autoimune associada a Lúpus Eritematoso Sistêmico, cujo quadro neurológico iniciou em 08 de janeiro de 2012. Apresenta também bexiga e intestino neuropáticos, cujo esvaziamento vesical é por meio de autocateterismo entre 04 a 06 horas. Apresenta alteração de força muscular dos membros inferiores e locomove-se em cadeira de rodas. E, de acordo com relatório médico da época, seu quadro neurológico está estabilizado e suas sequelas comportam-se como definitivas.

Iniciou Pilates em março de 2016, apresentando pouco controle de tronco (na cadeira de rodas) e, consequentemente, postura inadequada e pouca força de membros superiores, com dificuldade para fazer transferências nas AVDs. Faz aula uma vez por semana, com 01 hora de duração.

Encaminhei também para tratamento fisioterápico urogenital em parceria com a Dra. Mônica Raposo, fisioterapeuta especialista, apresentando inicialmente quadro de diminuição da sensação de plenitude vesical, diminuição da contratilidade detrusora e com histórico de infecções urinárias decorrentes.

Temos como objetivo do tratamento a melhora do controle de tronco, conscientização da função dos músculos do assoalho pélvico e power house para melhorar a postura na cadeira e fortalecimento de membros superiores, visando melhorar AVDs como tranferências, locomoção, melhor domínio sobre seu aparelho urinário, micção espontânea, diminuição do resíduo pós miccional, diminuição das ITU e consequentemente melhora da qualidade de vida.

No Pilates, utilizo com Camila o equipamento Arcus, que é projetado para receber cadeirantes, facilitando a realização de exercícios como Seated Pull Down, Standing Arm Series Facing In and Out e Kneeling Arm Series (todos sentada na cadeira), Mermaid e a série de Rowings, que também poderiam ser realizados nos equipamentos clássicos. Trabalhamos também exercícios que simulam a impulsão de cadeira de rodas, de rotação de tronco, fortalecimento de abdominais e equilíbrio na cadeira.

Na fisioterapia uroginecológica realizou 7 sessões até o momento, onde foram utilizados eletroestimulação, técnicas respiratórias, conscientização e treino dos músculos do assoalho pélvico e músculos abdominais, principalmente transverso do abdômen, micção espontânea e programada (3 em 3 horas), fisioterapia miofacial e biofeedback eletromiográfico, visando treino de fibras lentas e rápidas.
Evolução do quadro:
Segundo depoimento da própria Camila, “o método tem dado uma qualidade de vida excelente, uma postura na cadeira que, até então, não tinha. Deu segurança para fazer minhas transferências. Os exercícios com molas têm me ajudado bastante no controle do tronco”.

Houve melhora da sensação de plenitude vesical, micção espontânea, relatando aumento do volume urinário e diminuição do volume retirado pela sonda. Relata melhora também da função intestinal, segundo a fisioterapeuta.

Autoestima. Este é o ponto onde senti a maior evolução da Camila. Quando nos conhecemos, encontrava-se desacreditada de sua reabilitação e futuro. Já frequentava a universidade, mas não saía de casa.

Hoje, além de se dispor a me ajudar a desenvolver exercícios para cadeirantes no Arcus, está estagiando na Receita Federal de Sete Lagoas – MG. Já passamos revellion juntos e temos uma amizade muito sincera, que faz com que outras pessoas, como médicos, taxistas e tantas outras nos estimulem à dar continuidade ao nosso trabalho.

Um Forte Abraço!

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