Escritor de televisão, autor, fotógrafo e empreendedor, I.C. “Chuck” Rapoport teve uma vida interessante. Um dos momentos chave da sua carreira aconteceu em 1961, quando era um jovem fotógrafo da Sports Illustrated, e foi escalado para fotografar um homem que afirmava ter inventado um sistema de exercícios inusitado, porém extremamente efetivo. Há alguns anos, a Balanced Body reproduziu uma entrevista com Chuck Rapoport, em que ele revelou o encontro com o mestre, os segredos por trás das lentes e como o método transformou sua própria vida décadas depois.
A entrevista com Chuck Rapoport, ocorrida em 1961, mostra-se mais atual que nunca. As fotos tiradas nesse dia tornaram-se ícones da indústria e consistem no último e mais claro registro do trabalho de Joseph Pilates. Além disso, o fotógrafo conseguiu traduzir um pouco do perfil deste homem que segue transformando vidas com sua metodologia rica e inovadora.
Confira agora a exclusiva entrevista com Chuck Rapoport
Chuck: Existem momentos na história que mudam o rumo de uma indústria. Em 1961, um jovem fotógrafo da Sports Illustrated subiu as escadas de um estúdio na 8ª Avenida, em Nova York, para registrar um “velho maluco”. Mal sabia I.C. “Chuck” Rapoport que aquelas fotos se tornariam o registro mais icônico e claro do trabalho de Joseph Pilates.
Como você conseguiu o trabalho para fotografar Joe Pilates?
Chuck: Meus editores me mandaram fotografar um “velho maluco” na 8ª Avenida, em Nova York. Eu tinha acabado de entrar para a Sports Illustrated como fotógrafo, tendo passado o verão fotografando o National Marble Tournament e os Soap Box Derby Eastern Trials. Passei um dia inteiro com Joe Pilates e saí com sete rolos de filme com fotos de seu trabalho com clientes.
Como era a personalidade de Joseph Pilates de perto?
Chuck: Lembro do Joe como um cara único. Ele tinha 78 anos, mas tinha um preparo físico incrível para um homem dessa idade. Me recebeu quase nu, trajando apenas um calção de banho preto, óculos e fumando um cigarro. Tinha um olho de vidro que tive de esconder enquanto o fotografava.
Joe era extremamente áspero com alguns clientes e bem gentil com outros. Acredito hoje que ele pegava leve com os iniciantes, mas exigia muito dos clientes que cometiam o erro de não levar a sério as máquinas que ele passara a vida criando.
Ele gritou com uma mulher que estava deitada no Reformer, dizendo que “se ela continuasse a fazer aquilo, ele a expulsaria do estúdio”. Talvez ele estivesse apenas se exibindo um pouco para a equipe da Sports Illustrated, mas ouvimos relatos de que ele tinha pouca paciência para quem não vinha até ele para trabalhar duro.
Ele chegou a te colocar para treinar naquele dia?
Chuck: Ele de fato me colocou para fazer alguns exercícios e entender melhor seu método e o que ele podia fazer pelas pessoas. Depois de me desafiar a “tocar meus pés” (embora eu não conseguisse, ele tocava o chão com a palma das mãos), ele me disse que se voltasse ao estúdio, em seis meses estaria fazendo o mesmo que ele.
Ele me pôs no seu Bednasium, uma cama com um colchão completo que tinha uma torre adaptada em uma das pontas. Eu apenas subi no equipamento para ser orientado a sair, tirar a roupa e ficar de cuecas, o que eu fiz, para depois ele me orientar.
Quando o Pilates deixou de ser apenas um trabalho fotográfico e se tornou parte da sua vida?
Chuck: Depois da sessão de fotos, eu entrei no exército estadunidense e fui escalado para a área do Pentágono, no D.C., para trabalhar no escritório do chefe de informações do exército. Para falar a verdade eu esqueci completamente de Joe Pilates e da Sports Illustrated. Trinta e oito anos depois, em 1999, minha esposa, Mary Rapoport, começou a fazer Pilates. Então o nome ressurgiu na minha mente. Quando a instrutora dela, Emily Laurence, veio à nossa casa com um Reformer portátil, mencionei que tinha fotografado o homem que inventou aquela máquina. Esse foi o começo do meu romance com Pilates, as fotografias e o método.
Quais mudanças você sentiu ao praticar Pilates de forma regular?
Chuck: Logo de cara nós dois percebemos um aumento de força nos nossos membros e core. Meu peitoral, que antes parecia precisar de um sutiã, passou a se assemelhar ao do He-Man (bem, um He-Man de 77 anos). Me tornei mais forte, esbelto e mais feliz com um corpo plenamente saudável.
O que você diria para quem está começando ou para quem já está na terceira idade?
Chuck: Já falei a várias pessoas da minha faixa etária sobre os benefícios do Pilates. É uma maneira maravilhosa de tornar-se e manter-se saudável. Porém, faço questão de dizer que é necessário ter um instrutor qualificado, que não tenha aprendido o método em um final de semana.
Tive sorte de ter ido a vários eventos de Pilates organizados pela Balanced Body, sessões educacionais contínuas e workshops clássicos. Assim, testemunhei a intensidade e a dedicação dos instrutores que iam nesses eventos.
Muitos deles estão experimentando várias facetas dos ensinamentos de Joe, desde o seu trabalho ortodoxo até técnicas e inovações contemporâneas. Todas são válidas, do meu ponto de vista. O aspecto mais importante é continuar a aprender e exercitar-se no estúdio e em casa.
* Texto atualizado, originalmente publicado em 26 de agosto de 2015. A entrevista com Chuck Rapoport mantém o conteúdo original.





