Qual nossa responsabilidade como Educador de Pilates?

“Um educador é um criador de mundos” (ALVES, 1998, p.145)

Com essa citação de Ruben Alves eu inicio o capítulo do meu livro Método Pilates de Condicionamento do Corpo (2016), e novamente me utilizo deste grande escritor, pesquisador e professor para iniciar este artigo.

Nas últimas andanças pelo Brasil, muito frequentes graças à proliferação de eventos de Pilates por todo país, tenho notado, que se faz necessário conversar tanto sobre a qualidade de Pilates, assunto este já abordado em artigos anteriores, tanto como falar sobre o que vem a ser o “Educador de Pilates”.

Segundo Alves (in PANELLI E DE MARCO, 2016), um educador é uma bola de sementes-palavras, onde se encontra o sonho que ele deseja plantar… E este educador tipo “bola de sementes” é segundo o autor, uma espécie em extinção. Também o colega Jorge Viera via Instagram (2018), complementou: “Somos sementes, mas não germinamos sem terras férteis…” Então como fazer para melhorar o atual panorama na educação de Pilates no nosso país? E a primeira pergunta que me vem é: Qual a nossa responsabilidade como educador de Pilates?

Hoje em dia o que vemos são professores especialistas em ensinar pedaços e fragmentos (ALVES in PANELLI E DE MARCO, 2016). Muitos ensinam o Método para garantir um retorno financeiro considerável, já que o Pilates tornou-se muito procurado. O conteúdo que transmitem esses professores é tedioso, pois na maioria é assim que eles se sentem, já que não vivenciam o método em seu corpo.

Nossa situação atual é voltada para o “conhecer sem sentir…. sem praticar”. Ao invés de intermináveis preocupações com a produção, a performance, que tal pensarmos em desenvolver a nossa sensibilidade e emoção pela técnica que trabalhamos?

Há pouca preocupação em despertar os sentidos, e em transmitir uma imagem pedagógica adequada do que vem a ser realmente o Método Pilates.

Essa responsabilidade de ensinar o Método com paixão vem de dentro, portanto é esta a primeira função do educador de Pilates segundo a minha visão: o despertar dos sentidos, da história, de quem foi o criador do Método, o que ele objetivou.

Não somos apenas seres biológicos, e o hábito motor transcende e amplia a nossa existência, pois somos corpo, mente e espírito.

Não se aprende Pilates verdadeiramente repetindo séries de exercícios, ou copiando da Internet, precisa vivenciar o Método em seu corpo por muito tempo antes de achar que está pronto para ensinar.

O panorama atual é de vários instrutores pelo país trabalhando com Pilates, sem mesmo saber nada sobre a história de seu criador e do Método. Triste realidade também se expande para a área acadêmica, muitas vezes já verifiquei pesquisas sobre Método sem sequer citar o nome de Joseph Pilates na bibliografia.

Para finalizar, me utilizo mais uma vez do grande Ruben Alves (PANELLI e De MARCO, 2016, p.84) para reforçar que o conhecimento já nasce com o corpo, e sem isso não há processo de aprendizagem:

“Na verdade, educação nenhuma, porque o conhecimento já nasce solidário com o corpo e faz com que o corpo faça o que tem que fazer”.

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