Quem pode ministrar aulas de Pilates no Brasil

Quem pode ministrar aulas de Pilates no Brasil?

A pergunta “Quem pode ministrar aulas de Pilates no Brasil” surge constantemente pelos ambientes por onde circulo em todo país, e gera boas discussões. São tantas questões envolvidas que o tema torna-se interessante e complexo, além de é claro, bastante polêmico.

Acho a polêmica saudável, mas também considero sempre de fundamental importância, o exercício da reflexão e do respeito ao pensamento diverso, além de um cuidado no uso e escolha das palavras, para que o debate aconteça de forma civilizada e ética, podendo assim se tornar uma atividade construtiva e, portanto, significativa.

O que diz a lei sobre profissionais habilitados para ministrar aulas de Pilates?

Abordando este tema pelo ponto de vista legal e com base na nossa Constituição Federal que protege o livre exercício das atividades não regulamentadas, hoje no Brasil qualquer cidadão maior de idade poderia se tornar professor ou instrutor de Pilates.

O que rege então as discussões são outras questões mais filosóficas, éticas, culturais, e talvez mais fortemente, as de fundo comerciais.

Expansão

Depois da conclusão do litígio pela marca Pilates, que ocorreu nos EUA, ter definido que o método não tem um dono específico, o Método Pilates se expandiu rapidamente pelo mundo todo. Em poucos anos entrou em escolas regulares, academias de ginástica, escolas de dança e companhias profissionais e amadoras, em clínicas, hospitais, além de que surgiram também estúdios de Pilates independentes em todas as capitais e pequenas cidades. Esse crescimento extremamente veloz, trouxe tanto o benefício de tornar o Pilates mais acessível em diversos aspectos, como também prejuízos significativos, aqueles que resultam naturalmente de um crescimento rápido e descontrolado, e principalmente sem parâmetros e referenciais.

Por conta da urgência em atender a este mercado em franca ascensão, surgem inúmeras novas escolas formadoras de instrutores do método, e dentre elas encontramos tanto aquelas que seguiam os ensinamentos dos mestres originários, oferecendo conteúdos amplos e consistentes, como também, e em maior número ainda, outras escolas com currículos frágeis e formações rápidas e de baixo custo.

O mesmo ocorreu com as fábricas de equipamentos, onde proliferaram mais rapidamente aquelas que investiram em tecnologia que prioriza o preço baixo em vez da qualidade, segurança, funcionalidade e durabilidade.

O Pilates começou a perder qualidade e a mídia passou a divulgar que ele causava riscos e prejuízos para a saúde dos seus praticantes.

Era preciso então encontrar uma solução democrática e inclusiva, que pudesse de certa forma regular o mercado pela via da orientação, da informação e parametrização para que os seus usuários, sendo estes clientes ou profissionais do mercado de Pilates, pudessem fazer escolhas mais conscientes e soubessem separar o “joio do trigo”.

Criação do PMA

Foi com este intuito que em 2003 fundamos a PMA, em Miami nos EUA, junto com mestres antigos e experientes e representantes das diversas escolas formadoras tradicionais existentes no país, além de contarmos com a presença inestimável de 4 dos Elders (aqueles que estudaram pessoalmente com Joseph e Clara Pilates) ainda vivos à época. A PMA conseguiu reunir nesses 16 anos de existência, uma amostra consistente de informações, definindo parâmetros para o Método Pilates que hoje influenciam instituições pelo mundo afora.

Enquanto a PMA ainda engatinhava e iniciava sua estruturação nos EUA, aqui no Brasil um deputado, tenta aprovar uma lei que tornaria o método Pilates, a Dança, as Artes Marciais e a Capoeira, especialidades exclusivas do profissional formado em Educação Física e assim, passariam a ser fiscalizados pelo CONFEF (Conselho Federal de Educação Física) e pelos CREFs (Conselhos Regionais de Educação Física)Houve uma comoção nacional dos profissionais e grandes mestres destas áreas profissionais, que se organizaram para impedir a consolidação do absurdo.

Movimento baiano

Na Bahia foi criada uma associação estadual de Pilates, a ABAPI, Associação Baiana de Pilates, que se uniu com as outras entidades representativas da Dança, Capoeira e Artes Marciais e juntos foram a Brasília e conseguiram impedir a aprovação da tal lei, com apoio de todas as instâncias federais pela qual ela havia passado.

A ABAPI inspirou posteriormente o surgimento da ABRAPI, a Associação Brasileira de Pilates, no intuito de referenciar o Pilates de acordo com suas especificidades e com as leis e a cultura brasileiras. Infelizmente a falta de recursos e de uma condução jurídico administrativa mais eficiente, provocou o esvaziamento e consequente abandono destas duas entidades.

Criação do CNPP (Conselho Nacional de Normas-Padrão do Método Pilates)

No início de 2018, surge o CNPP (Conselho Nacional de Normas-Padrão do Método Pilates), uma entidade associativa com um espectro de regramento, tendo como objetivos sociais a criação de normas padronizadoras nos aspectos de instrução, formação e fabricação de equipamentos, como também a busca pela profissionalização da atividade através da criação da profissão do Instrutor de Pilates. Uma representação moderna e estruturada com intuito de possibilitar o acesso em duas frentes, uma relacionada ao conhecimento da metodologia com profundidade para os profissionais que buscam nela a sua realização profissional, e a outra, relacionada ao anseio do criador em humanizar a atividade com o intuito de alcançar todas as classes sociais da população.

CNPP tem como idealizador o Advogado e Empresário Robson Alcova, o qual planejou ponto a ponto uma proposta sólida para materialização dos ideais que cada um dos profissionais de ensino de Pilates, transmitiu a ele, com informações advindas das mais variadas correntes e pensamentos do universo Pilates. Ele fez imersões por mais de quatro anos em eventos, congressos e viagens observando e estudando as peculiaridades da comunidade do Pilates no Brasil e no exterior, e segundo o próprio Robson, tudo com “o propósito de gerar um ambiente consciente de união dos profissionais com equilíbrio, respeito e sustentabilidade na concepção de uma proposta inovadora e democratizada pela busca de novos rumos do Pilates no Brasil”.

Com o apoio que conquistou e sua expertise profissional, Robson Alcova facilitou a criação e a manutenção do CNPP utilizando as mais variadas ferramentas tecnológicas, viabilizando-o em todos os seus aspectos políticos, financeiros, legais e administrativos.

CNPP é uma instituição inclusiva, contendo muitas categorias de associados que abrangem toda a cadeia produtiva, desde praticantes de Pilates e profissionais que ensinam o método, até empresas que organizam a formação de instrutores/professores, além das que fabricam os equipamentos. Com sua representatividade, o CNPP vem se fortalecendo a cada dia, conquistando o apoio dos órgãos competentes do governo federal e definindo coletiva e democraticamente os parâmetros brasileiros para o mercado de Pilates.

A entidade vem também orientando e esclarecendo a confusa relação entre a atuação dos Conselhos Federais de Educação Física e de FisioterapiaCONFEF e COFFITO, respectivamente, com seus Conselhos Regionais (CONFEF e COFFITO, ), e os profissionais que hoje atuam ministrando aulas e cursos de Pilates no país.

CNPP ao observar os preceitos constitucionais e infra legais aplicados a atividade livre de Pilates, diagnosticou abusos por parte dos Conselhos Federais de Educação Física e de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, numa evidente invasão de competência no tocante às suas atribuições enquanto organismos representativos de classe.

O exercício da profissão

A liberdade do exercício profissional e de associação são constitucionalmente asseguradas na nossa República e cabe ao Poder Público disciplinar os interesses da coletividade, em especial a legitimidade dessas entidades representativas atuarem enquanto organismos paraestatais no âmbito da administração indireta do Estado.
Esse tema envolvendo a análise da natureza jurídica desses entes esta em debate no Congresso Nacional através da PEC 108/2019 que busca alterar o artigo 174 da Constituição Federal, com a finalidade de solucionar de vez as discussões referentes aos limites e poderes que envolvem o caso, inclusive no controvertido e impositivo aspecto de obrigatoriedade de associação.

Enfim, o Pilates é um método de movimento com princípios, equipamentos e repertório de exercícios específicos, mas com aplicação multidisciplinar que se relaciona com as competências de diversas categorias profissionais. Não cabe, portanto, a um conselho profissional que representa uma dessas categorias profissionais, regulamentar o método em si, podendo fazer isso apenas nas questões específicas relacionadas com a profissão que regulamenta, e com tudo em total observância e respeito aos limites de sua atuação e atribuições para não ferir a nossa Constituição Federal.

Recomendo a todos que se interessem em se atualizar nesta questão, que entrem no site do CNPP (www.cnpp.org.br) e acompanhem a consolidação das definições sobre quem pode ministrar aulas de Pilates no Brasil, quais são os pré-requisitos qualitativos de um profissional desta área. Estes pré-requisitos estão sendo amplamente discutidos pela comunidade profissional de Pilates do Brasil, incluindo os mestres mais antigos e experientes do país que vem doando seu trabalho para que os parâmetros estejam disponíveis para a população em geral.

Pilates é hoje no Brasil, de fato, uma profissão e merece a atenção especial de todos. Tenho convicção de que para se tornar um bom profissional de Pilates é preciso conhecer o método, incluindo seus princípios, sua história, seus equipamentos e repertório de movimentos, conforme definido pelo próprio Joseph Pilates através de vídeos e livros e através das escolas que seus discípulos diretos, os Elders, originaram. Os cursos de formação de professores/instrutores de Pilates, que possuem excelência, exigem muitas horas de prática pessoal no método, encontros presenciais com Educadores experientes para transmissão de técnicas de execução e instrução dos exercícios e suas regras de segurança, além de estudos aprofundados das ciências que embasam o movimento humano.

Portanto, para os que desejam vir a ministrar aulas de Pilates com qualidade e segurança, é preciso acima de tudo, compreender o nível de dedicação e investimento a ser feito. É indispensável que estes amem o movimento e o método Pilates, pois precisarão ser alunos antes, e por alguns bons anos, para compreendê-lo pessoal e profundamente, e poder assim transmitir a experiência e seus aprendizados para o outro. O corpo exige este tempo de dedicação na absorção dos conhecimentos fundamentais sobre o movimento humano e, portanto, sobre o método Pilates. Depois de praticar e incorporar o método, é necessário buscar uma formação de excelência que normalmente vai durar entre um e dois anos, e finalmente continuar estudando, praticando e aprofundando continuamente e para sempre!

Por: Alice Becker
Fonte: Revista Mais Que PIlates

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2 Comentários. Deixe novo

  • Carolina Maria Berra
    20/12/2019 10:51 am

    Olá Alice,
    Muito obrigada pelo seu belo texto! Tenho me debatido exatamente com essa questão: qual profissional pode ou não atuar como um instrutor do método Pilates. Eu sou praticante do método há muitos anos e já fiz a formação básica pela Physio Pilates há alguns anos também e estava me programando para iniciar a formação profissional (pela Physio Pilates), quando me deparei com esse dilema, quem pode ou não pode ser um instrutor de Pilates. Inclusive, por causa dessas discussões, estou me programando para iniciar uma graduação em fisioterapia em 2020, para poder atuar como professora de Pilates. Porém, lendo o seu texto, entendi que essa questão ainda está em debate e ainda não está completamente definido que apenas os educadores físicos e os fisioterapeutas estão habilitados a serem professores de Pilates. Se for assim, os meus planos podem se modificar radicalmente. Ou seja, não iniciar a graduação em fisioterapia e sim, iniciar a formação completa no método Pilates. Por favor, poderia me orientar melhor quanto a essas questões? Agradeço enormemente por esses esclarecimentos e pela orientação. Abraços!

    Responder
    • Hoje, existe uma cultura no país em relação ao tema, que vem sendo questionado uma vez que a lei não está sendo levada em conta. Criamos o CNPP para discuti-la e criar as leis próprias que atendam a comunidade profissional de Pilates Mas hoje, cada escola tem suas regras e pré requisitos próprios. Seguimos na Polestar Brasil a orientação da Polestar Internacional Exigimos alguns requisitos:

      – Ou que tenha experiência profissional de ensino de movimento de pelo menos 3 anos e um semestre de estudo de pelo menos uma das ciências do movimento (anatomia, cinesiologia, fisiologia), em geral isso é para quem não é da área profissional de movimento ou de saúde.
      – Ou então ter diploma em fisioterapia, Ed física, medicina, enfermagem, dança ou Yôga.

      Os que não possuem experiência prévia em movimento precisam praticar antes para poderem acompanhar e absorver o material do curso ou fazer os cursos introdutórios como vc fez.

      As exigências são para que a pessoa possa acompanhar o conteúdo do curso e aproveitar ao máximo o investimento que fez. As exceções são analisadas individualmente e a pessoa orientada então a fazer o que falta, seja estudar o corpo humano e ler livros de cinesiologia ou fisiologia ou fazer aulas com Educadores ou Mentores que complementem a deficiência de bagagem prévia que possui, seja ela prática ou teórica.

      Responder

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