Como trabalhar o Pilates para deficientes visuais?

O Pilates é um conjunto de exercícios que pode ser adequado a todos os perfis de praticantes, com benefícios dos mais diversos ao corpo e à mente.

No dia 13 de dezembro, foi celebrado o Dia Nacional do Deficiente Visual, vamos abordar como o método pode ser utilizado para trazer melhorias para a qualidade de vida de pessoas com perda total da visão ou com visão reduzida, destacando seu poder transformador na promoção da autoestima e da saúde do indivíduo.

A prática de atividades físicas deve ser um direito de todos e, para que cada vez mais pessoas tenham acesso a estas, é preciso que sejam incentivadas e divulgadas.

Afinal, pessoas com deficiência visual podem fazer Pilates?

Não só podem, como as inúmeras vantagens obtidas com a prática fazem dela uma grande aliada do portador de deficiência visual, contribuindo para a melhora da sua mobilidade e do seu fortalecimento muscular, ajudando também a ampliar os seus laços sociais.

Habilidades como consciência corporal, noção espacial, coordenação, equilíbrio e percepção também podem ser aperfeiçoadas, impactando em aspectos da vida cotidiana do praticante, como em uma melhor execução de atividades rotineiras, além de uma considerável melhora emocional.

Como indivíduos com deficiência visual tendem a gastar mais energia ao realizar suas atividades diárias, acabam exigindo mais da sua musculatura, deixando-a tensionada. O Pilates, sendo um método que privilegia exercícios realizados de forma lenta e controlada, acaba ajudando a aliviar essa tensão, favorecendo um maior relaxamento muscular.

Por possuírem um senso mais apurado em relação ao espaço ao seu redor e a sua consciência corporal, um indivíduo que possui deficiência visual acaba tendo maior facilidade em assimilar os exercícios propostos.

Planejadas e executadas de acordo com os objetivos e com as particularidades de cada aluno, as aulas levam em conta o nível de desempenho de cada um. Como bem disse Joseph Pilates, criador do método, “não interessa o que você faz e, sim, como você faz”.

O método prioriza uma movimentação precisa por parte do aluno, fazendo com que as aulas sejam conduzidas com orientações verbais detalhadas sobre cada movimento, facilitando sua compreensão e execução e ajudando o praticante a adquirir uma maior segurança em relação ao que está fazendo.

Instrutor + Aluno: aprendizado mútuo

Buscar tornar o método acessível a todos, respeitando seus princípios, é tarefa essencial do profissional que se qualifica para dar aulas de Pilates. O instrutor deve explorar as potencialidades de seu aluno, focando sempre no desenvolvimento da sua habilidade, não em sua deficiência.

Antes de partir para a prática, é fundamental uma conversa entre mentor e aprendiz, para que as dinâmicas das aulas sejam estabelecidas de acordo com as características do aluno com deficiência – se este possui memória visual, se tem perda total ou parcial da visão e outros detalhes que agreguem na construção de uma relação de confiança.

Uma das grandes diferenças em lecionar para pessoas com deficiência visual está na maneira como os exercícios são explicados. Para quem conta com uma visão plena, é comum que os instrutores demonstrem os movimentos na prática, para que depois o aluno replique de acordo com o que foi observado.

Para pessoas com limitação visual, a abordagem difere um pouco, com uma orientação mais detalhada sobre os movimentos e aparelhos utilizados, a fim de fazer seu aluno compreender por completo cada técnica antes de executá-la.

Uma boa oratória, comunicando o que deseja de forma clara e objetiva, é indispensável para o sucesso da aula, assim como é fundamental estar sempre atento durante a execução de cada movimento realizado pelo aluno.

Uma dica importante para ajudar na ambientação de pessoas com limitação visual que estejam iniciando a prática do Pilates é sincronizar seus movimentos com a própria respiração, ajudando o indivíduo a manter a concentração e controlar melhor o seu ritmo, evitando distrações.

O treinamento passa também pelo reconhecimento espacial do local onde a prática acontece, além da promoção de estímulos sonoros e táteis, para que o aluno consiga realizar o exercício proposto com mais segurança em sua execução.

Adequando os espaços para a acessibilidade

Além de contar com um suporte profissional adequado, é fundamental que o local que deseje promover aulas de Pilates para pessoas com deficiência visual também ofereça uma estrutura devidamente adaptada para tornar o ambiente mais acessível.

A Lei Brasileira de Inclusão, de nº 13.146/2015, complementada pela norma técnica da ABNT 9050/2015, prevê uma série de direitos e deveres ao segmento da pessoa com deficiência, tendo como base a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Para garantir que esse público tenha acesso real aos seus direitos, proprietários de studios e academias que oferecem a prática do Pilates em sua grade devem estabelecer critérios de adaptação de seus espaços às condições de acessibilidade.

Quando um projeto já é concebido com esses parâmetros em mente, as soluções já vêm integradas naturalmente ao ambiente, evitando a necessidade de reformas adiante.

Além de adequar o espaço interno, é igualmente importante pensar sobre o entorno do empreendimento, para garantir que a calçada que leva ao local também esteja adaptada para o uso de pessoas com baixa ou nenhuma visão, garantindo que possam chegar com segurança.

Já deu aulas para uma pessoa com deficiência visual? Tem limitação de visão e já praticou Pilates? Tem interesse em adaptar seu estúdio para este público? Compartilhe com a gente nos comentários como foi a sua experiência ou deixe suas dúvidas sobre o tema!

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